O Orvalho e os Dias

A meus parentes. A meus amigos.

Me mataria em março / se te assemelhasses às coisas perecíveis. (Hilda Hilst)

Motivo

Dispo-me

como quem quer se dar. Desvelando-se,

expondo as faces, as dobras,

os caminhos.

Entregando o peito, a nuca,

o calcanhar. Como quem necessita

ser frágil no braço do outro. Desmaiado

num colo precioso. Dispo-me

para ser amado.

Mantendo um véu.

Aparição

 É asas abertas e fogo

         descendo todo inefável.

A estas costas se posta.

         E em seu abraço terrível

                   eu sou por inteiro enlaçado.

O queixo em meu ombro apóia,

         lançando olhos sublimes

                   e incomum gravidade

         por todos os meus arredores,

                   por todos os meus pobres lados.

Falar-te-ei de mistérios,

         parábolas do já falado,

                   desde o início cantado,

“o sonho preanunciado”.

Teus olhos sejam para veres;

ouvidos, para escutares:

         a mesma idéia é o que trago

                   vestido em trajes lunares.

Um Primeiro Exercício de Fracasso

 O menino bate a pedra.

O que fazes, ó menino?

Bato a pedra, bato a pedra.

Pra que bates, ó menino?

Farei nela linda flor.

E por que tu tão transido?

Por que choras, meu menino?

Sei que tudo é perdido:

ela não terá odor.

Espelho

Há duas irmãs mancas:

a que diz e a que é.

Uma clama vir a ser;

outra vive o não saber.

Uma quer a carne da outra,

que deseja o seu sabor.

Uma manca por destino.

Outra manca por fraqueza;

muitas vezes, por desleixo.

São duas irmãs, as mancas,

que dividem lar soturno:

nuvens passam adiante,

gritos ecoam no mundo.

Uma toma a mão da outra;

vem-lhe certa estranheza:

olha fundo em seus olhos,

vê-se neles com justeza.

Eles falam de horrores;

mas é desta a tristeza.

Ei-las: duas irmãs mancas:

se de uma jorra o sangue,

noutra vê-se a sua cor;

uma canta os lamentos,

outra sente a grande dor.

Vejo duas irmãs mancas:

uma é Frágil Gardênia.

Outra é Fingida Flor.

Brevíssima Teoria

O Deus

de que eu

vos falo

é Deus

de afagos,

poeta.

E afagos

de chama.

Esboço para uma Mística Geometria

Existe um ponto extremo,

coeso: o vértice do cone.

Nele há o grito primevo,

que ecoa na figura.

Dele parte o que ressoa

e para ele vai toda a geometria.

Nas paredes do módulo grava-se seu eco,

circunvagante em toda sua extensão.

O cone é o todo

e nasceu do ponto

e para ele converge.

Sendo este, em verdade,

um de fora. Um que lança suas vistas

sobre o todo.

Não é vértice,

também não existe cone –

o quadro é rico.

E o homem não desenvolveu o verbo

para definir o que se lhe avista à frente.

É plenilúnio pulsante 

reluzente o ponto.

E a figura nele reverdece,

reverbera o seu interior.

Há cômodos, divisões,

tamanha a dela grandeza.

Por trás dos muros, a sombra

é o que impera: espectros,

fantasmagoria.

Expande-se vocacionado o módulo,

como se respirando do sopro

que vem do ponto. (O vértice.

O outro. De fora, lançando as vistas

ao todo.)

Estende-se e retorna. Para depois se estender.

E provoca rachaduras. Umas múltiplas fissuras

nos muros erigidos.

O grito nas altas colunas

racha seus alicerces. Quedando-se elas ao chão.

Polvilham-se, fenecem.

Agora sim então reverbera real a figura:

completa entoante ela é toda bailado,

também lábios cordatos, gesta. Composição.

Flutua em meio ao nada

— única existente —

A Notável Construção.

O Afago no Dia

Na noite invernal, rachou-se a estela.
E o que era pedra e cinza tornou-se carne
e sopro.
E o templo tem veias onde corre sangue,
e voz que profere verdades. Palavras.

Na grande noite invernal, rachou-se a estela.
E o orvalho tocou os campos
e as faces.
E a luz cobriu a todos
e revelou o ocultoso. E os aqueceu.

Tenho Ouvidos e Sopro

Clamores rotundos. Catedral erigida no peito —
uns feixes de carne eriçada, estrela de sete pontas no topo.
Ao alto, assoma uma oitava, ilustre, extremosa.
Fecunda, desce em seta, postando-se sobre o edifício.
Olhos ardentes e risos contidos compõem o conjunto,
com o fio que, em rútilo, sobe pela construção.
Tocando irisado a ponta que faltava, soberba
a comunhão.

Resumo

Mas antes
do dourado
da abóbada

há a escuridão.

E ainda,
antes desta,
a abóbada.

Poema Táctil

Desde que me tocaste diáfano a face
E muito leve descortinaste teu ser
— desde então é inquietação meu viver:

Corro os vales batendo no peito; os lábios
Tremem, gritam: tocou-me. Ele me tocou,
E sua mão é lanças de fogo. Ele

É um esmagar-me contínuo. Tocou-me:
Ele me tocou. E clamo: toca mais. Não te dês
Por contente: toca-me. Oh, vem, toca-me!

— eu grito, vestes rasgadas, braços em riste,
Olhos vidrados: toca-me. Quero o teu peso,
Peso teu sobre e dentro de mim. Toca-me.

Alongado qual Figura de El Greco

O solteiro d’alma desposada
tem a sua alvada casa
veridicamente bifronte, dupla
por vera riqueza na fronte
alva plantada, cortada
em tenro marfim. São duas
faces e uma, de intimidades
regadas: eu sou e te vejo
em mim. É uma e duas
(necessárias). Existe a grudada
nos altos, de vista formosa
emprenhada. E aquela que vê
os baixios, de si, em si,
comiserada, contente, nunca
esfaimada. (Pois vê o que aquela
vê). Que vendo uma,
vêem as duas. Uma
fincada nos cumes, outra
rondando as furnas — sempre
trocando sabores, sempre
se presenteando, sempre tão sempre
afins. Há muros
de incenso evolados; não-muros
de puro olor. Um rosto
olha para o outro, e  então
é trocado um dom:
                                     oh céus,
que uno delírio, oh céus, que gestos
de lírio, oh céus, que tão fino amor.

Morro de Amores por Meu Senhor

Morro de amores por meu Senhor.

E Tanto que peço: aniquila-me, Amado.
Joga sobre mim um raio de teu amor
e espalha minhas cinzas sobre os homens,
para que todos saibam como meu Senhor é bom.

É daqueles carinhosos,
que não negam um consolo à amada.
E se prometem dão sempre mais que o prometido.

É pródigo o meu Senhor.

Derrama sobre mim seu amor em torrentes,
abrindo seus longos braços, que me enovelam em seu peito.

Tão quente, ardentíssimo o peito de meu Amado;
que enquanto me abraça, sussurra
(aos meus ouvidos canções as mais belas).

E nem fecho os olhos para ouvi-las;
pois onde encontrar beleza maior que em meu Amado?

Fixo-me em seus lábios,
escarlates como a ferida em meu coração quando se vai.
Escarlates como o sangue que derramaria para tê-lo de volta.

Mas não demora muito o meu Amado;
é cuidadoso, tão solícito o meu Senhor:

vem sempre com um ramalhete nas mãos.

Na última vez, trouxe-me lírios os mais puros,
cândidos como os dentes que quase não se viam quando beijava as  pétalas.  
“São para o meu amor” — diz o meu Amado.
E quase desfaleço
— não fosse estar a própria minha vida a enredar-me nos braços.

Eu, uma quase meretriz,
que em ausência de seu senhor procura-o por todos os lados.
Mas não o encontrando, satisfaz-se,
                                       não se satisfazendo,                                                
com o pouco que são todos os outros.

Mas já o disse a Ele. E o fiz nestes termos:

“Amor, por que te demoras nas viagens?
Não sabes então que sou fraca
e sem ti corro logo a beber do regato mais próximo?
Não te demores, Senhor!
Que ao menos sempre mandes lembranças tuas,
ó rio cristalino.”

“Vem, vem logo — é o que clamo nas noites.
Vem que tenho sede.
E fecho os olhos a te imaginar.
Mas nenhum pensamento te chega sequer aos pés.
Uns pés que clamo para que me apareçam à frente
e eu os possa banhar com minhas lágrimas e meus beijos.
E com os cabelos enxugar.”

Assim digo ao Amado.
Que sorri aquele seu sorriso.

Não demores, Amado.
Não sabes que sou como meretriz,
que na ausência do senhor corre
a buscar beber do primeiro regato?

Não demores. Tem misericórdia.
E confia em tua amada,
que se esforça em te preparar as melhores iguarias.
Apesar de nenhuma digna de ti.
Pois se delas a maior sou eu mesma?!

Mas iguarias.
Onde se deleita Aquele que as tornou iguarias.

Vem, Amado.

Prova do manjar que te preparo com teu próprio amor.

Amo-te, Senhor. E não te trairia.

A Escada de Prata

Ó Amado, faze-me tão feliz…

Lembro-me de quando, mais moça,
bati à tua porta.
Eram uns trajes toscos os que eu usava.
Atendeu-me tua Mãe. Que logo me convidou a entrar.
“Que desejas?” —  perguntou-me amável,
uma das mãos ajeitando os cabelos desta que hoje sempre os arruma.
     Para ti, Senhor.
“Que desejas?”
“Teu Filho…” —  sussurrei.
“Meu Filho?!”  — disse tua Mãe, num leve espanto.
“Que desejas com meu Filho? Diz-me.
Ou não confias em mim?”  — perguntou num recuo,
  os braços assentados nos quadris.  — “Diz-me.”
“Estou enamorada de teu Filho, Senhora — pus-me a dizer —,
e sem ele já não vivo.
É aportar o sol à minha janela
e já a escancaro de folha a folha,
        postando-me no peitoril.
O vestido que então coloco, Senhora,
   é o meu mais bonito:
um de seda, quase nácar.
E o pescoço, umas lindas pérolas são o que o adorna.
Sobre os cabelos derramo seivas as mais perfumadas.
Minhas mãos cheiram a alfazema.
E os olhos… os olhos são fitos em teu Filho.
Que sempre me aparece como príncipe.
Tão garboso, Senhora…
Tem bons modos.
Tira o chapéu e seu cumprimento é o mais doce.
Mais doce até do que um rouxinol.
Não conheço rouxinóis, Senhora.
Mas o é.
Cumprimenta-me e segue o caminho.
Não deixando de olhar vez ou outra.
E diria mais: olha muito. Volta-me sempre o olhar.
Atencioso, educado teu Filho.
E tão forte! Benditos os seios que o amamentaram.
A boca que lhe ensinou tão finos modos.”

E teria dito mais,

não fosse teu Pai a chegar, sorrindo-me atencioso,
o chapéu na mão e o corpo dobrado numa mesura.
Foi-se um átimo;
 e já era o meu corpo um se dobrar.
Vi teu Pai e achei que eram tão semelhantes…
Nele te reconheci. E não tive mais coragem.

Estremecida despedi-me e correndo voltei para casa.
                                                
Tua Mãe despediu-se e, olhando-me,
antes que eu tivesse saído, puxou-me um dos braços
e disse-me ao ouvido, enquanto me abraçava:
“Volte sempre;
    e te ensinarei como conquistá-lo.”

Sorri largamente.
E como teria vergonha de voltar outra vez,
deixei cair o lenço
como pretexto para aparecer em tua casa no outro dia.

Sorris, Amado.
Mas de que sorris?

Não me sussurres, Senhor. Dá-me cócegas.

O quê?!! Já sabias de tudo, então?!

[Pulo para bater-lhe no peito. Mas me abraça e nos beijamos.
                       Faz-me tão feliz o meu Amado!…]

Presença

Não é rumor de correntes
o som que aqui se pressente;
são as sandálias puídas
nos pés da mulher-antiga.

Desce escada, sobe escada,
na porta a face espalmada.
Que queres, que ouves sozinha,
só tu e tua porfia?

Que queres tu murmurante,
sendo de ti adiante
apenas véu e cortina,
a um tempo tão dura e fina?

Segue na diária trilha,
só, a mulher-andarilha.
Quem vê, quem sabe da falta
que há no peito da nauta?

Nauta de veste andrajosa,
andeja. Flor tão formosa
decora a bela fazenda,
de laços, bicos e rendas.

A flor, no pano, é vária,
estampa e também alfaia,
lembrando que o pano roto
não fora um dia assim morto

como ela o é tão agora.
Essa, na casa onde mora,
passa as unhas na parede
tentando aplacar a sede

que lhe traz tamanha dor,
como se o seu horror
fosse possível ser lido
ou, quem sabe, revivido

num mero passar de dedos,
revolvedor de segredos,
nessa leitura em braile
que contra um muro se esvai.

No bolso as mãos enfurnadas,
vaga a mulher-enjaulada,
no corredor, tão sombrio
que tem uns laivos de frio

correndo por trás dos quadros
— como se, tão desmaiados,
dos rostos fosse o desvelo,
nesse túnel quase gelo,

o deixar-se enlagrimar-se
qual quem a um outro apasce:
se, numa, é ardente a carne,
a outra,  comungada, arde.

De riso e dedos nos lábios,
num ocultamento inábil,
ela finge-se à janela.
E sua face, contra a tela,

não esconde seu desgosto
de sentir, de encontro ao rosto,
um queimor tamanho e tanto
que lhe causa o claro espanto

de ser doutros o calor
que o entorno teima em pôr
em contraste com sua casa,
cujos ares, gelo em brasa,

são a morte e são a vida,
que hoje é apenas lida
nesse livro de história
que é sua triste memória.

Abre, olha, lambe a folha,
querendo que ela não tolha,
ao sentir o travo amargo,
o seu sentimento vago

de que possa em algum dia,
mesmo que coisa tardia,
sentir nova a velha vida,
que sempre raspa a ferida.

Mira o quarto — e, nas costas,
sente soprar, por resposta,
o calor por trás da tela.
Melhor fechar a janela.

Permanências

 A mulher (são treze filhos)

sai da maternidade. Leva consigo os novos

(são três que agora carrega). No quarto

(que umidade nos cantos), beija os tenros

rebentos, dizendo a seus ouvidos: Meu Deus,

muito obrigado!

Argh, que coisa horrível! — diz a acadêmica,

lendo o seu matutino. Anda muito absorta,

puxando numa das mãos a sua única-filha

(laqueara as trompas em um distante dezembro),

metida em um uniforme (de pedras, flores, strass). Na outra mão,

orgulhosa, carrega o calhamaço de importantíssima tese

que hoje defenderá. Causa de ficar gravada

pra sempre nos altos anais.

A Figura

A coisa, amorfa,
entreabriu os olhos,
soprou as cabeças,
beijou-lhes as faces.
Seus lábios, enormes,
são grandes e verdes.
A língua é roxa.
Beijou-lhes as faces,
tocou-lhes os olhos,
baixando as pálpebras.
A boca, infeita,
cantou um seu canto,
e surdos tambores
bailaram nos ares,
os corpos tomaram.
E enquanto bailavam,
bailavam, bailavam,
os corpos sorriam,
os corpos cantavam,
os corpos dormiam,
cedendo ao seu canto,
ingênuos, insanos,
também desatentos
aos grandes cavalos
por trás da figura:
uns cachos horrendos,
nodosos e roxos,
caindo dos lábios.

Teorema

O índio diz a missa,
distribui o Corpo, fala d’Ele
em indigenês. É inversa a Babel.
A Torre-Vera não foi erigida:
desceu até nós. Distribui-se o Mistério
(um só) em todas as línguas.

Encontro

É a hora do sinistro —
todas são as suas horas.
Abres a porta e o convidas.
E suas asas te cobrem,
envolvendo-te. Te apavoras?

Elegíaco

Ó célebre, histórico.
Alargas os braços qual sedutor porto —
convidas-me imenso.
As vestes se me colam ao corpo;
eis que me tens, tu alto, denso.

Um forte lamento ecoa ao norte;
não sei que monstro de teu arsenal rasgou-me a noite.
Cavalo-marinho passeia a meu largo;
seu dorso é negro, é sinistro. É morte.

Vai em ritmo lento
meu triste corcel. Seu corpo é mudo,
seu canto é surdo.

As vestes diluem-se, calmas.
Os olhos perscrutam uns vazios.
Quem és tu que me chamas, Terrível?
Desfaz o horror. Aquece meus frios.

O Selo

Gozoso presente vário,
        num instigar-me diário,
foi o que me prometeu…

Então, situado no tempo,
        eu balouçando ao vento,
o prometido ocorreu:

rúbido, rubro, rubente
        ramo de flores, silente,
o sedutor a mim deu;

deu-me fechando-me os olhos,
        cessando os sidos sonoros,
lançando-me em denso breu.

E foi um maço de cardos
        que recebi, abraçado,
apertado ao peito meu.

As Aves

São aves imundas
de imenso negror.
Passeiam aos pares,
centenas, milhares —

miríades de miríades de miríades de aves.

Passeiam em rondas,
agouros, caixões —
um ruflar de asas,
funestos sermões.

São pêlos, não plumas, que orlam, adornam os corpos tufões.

São setas girando,
são dardos gritando,
são bicos sorrindo,
são olhos luzindo.

Os bicos, os bicos — beijam, cortam estes lábios famintos.

Levantam-se aos ares,
abrindo suas fendas.
Recebo suas fezes
em minha garganta.

Corpo após outro visita-me a fenda, me abre, me encanta.

Insone torpor
recolhe meus pés,
me toma lilás,
partindo do ventre.

Raro gemido me toma o corpo, e rio descontente.

Eu rosno, eu grito,
eu abro as asas.
Eu salto e não vôo,
as asas pesadas.

As aves, as aves — onde? As aves. Empurram-me à larga.

Um ventre? Que ventre?
Empurram por dentro,
soltando-se em estalos.
Eu grito, eu calo.

As asas das aves volteiam vermelhas, roxas. Acres.

Os céus são de chumbo.
Os céus são de carne.
Os céus são qual filhos
nascidos em aves.

Meus filhos, meus filhos, são látegos, são bicos. E ardem!

Em nuvem se voltam
à minha pessoa,
me jogam as fezes,
os filhos, as aves.

E eu lambo, e eu como — diluindo-me em intimidades.

 De Profundis

Diz-me: que Deus é esse, Esse,
cujo nome é Timidez?

(Abro um parêntese, ó
tu Quase-Ogro, tu Lírio-
-Obscuridão: te digo:
ouvi teu sussurro — és
muito sussurroso, sempre
chegas ladrão. Quem o disse?
Quem diria? Que o tal teu
vago dizer viesse a ser
inversão — não deixai vosso
quarto vazio, pois os sete
demônios o tomarão.
E se de ti se esvazia?
Diábolos, diábolos, diábolos
vezes dois mais um e mil
beijam-me a boca instalados
no vazio-vastidão. Ó
anêmona! ó alga ó
salmão! Anzol. Carpa breve
luzidia em minha mão
— etérea, difusa quando
lhe tocava os lábios nos
irisados, a beleza
desejada. Ó fração.
É oco e muros, espaço
e paredes e ecos e
o altar erigido, centro
do  /in/cômodo. Bezerro
dourado? Qualquer um que
se preste à adoração.)

Rumores

Aqui o nada. O ócio.
Não um outro, pleno e fecundo.
Mas penumbroso: placas
de grosso chumbo. Não outro,
tranqüilo, o seu cântico
natural, jucundo. Mas
a treva e o estertor:
a noite cobrindo o mundo.

A Faca

A faca
é lâmina,
é vítrea.
Se espessa,
é mínima,
aguda.

Apóio-me
inteiro
no fio
e corto
a carne,
seus talhos,
as folhas
vermelhas
e fundas,
tiradas
do caule,
de carne,
a um tempo
bem quente,
bem úmida.

Intenso
caminho
no fio
e mancho
os pés:
rubor;
uns gritos
de prata;
a pele,
que fina
se rasga.

Um corvo,
de bico
no vinho,
tão ébrio,
faz vezes
de hiena,
cantando
um canto
que talha,
de talhe
bem fundo,
os ares,
mantendo
em grito
suspenso
tal feito
da triste
cantiga
que faz
que eu pise
mais forte
o fio,
a lâmina
de corte.

Além,
teria
um rio,
um prado,
um canto,
um lar.
Uns olhos,
um belo
sorriso,
candente,
por sobre
o mar,
e além,
e dentro,
e em torno,
bem antes,
também
depois,
ali,
após
a lâmina,
que agora
eu piso
e repiso,
cortando
a carne,
a pele,
em tiras
por sobre
a prata.
A pele,
que grita,
que dói.

As lágrimas
me caem
dos olhos,
ardendo
na face
gretada.
Um sol
me lambe
um lado;
e o outro
é treva,
mais nada.
Também
é braços
puxando-me
a veste ,
o corpo,
minh’alma.
 
Eu sinto
o fio
da lâmina:

a vítrea,
aguda,
salgada.

Marítimo

 O solitário repousa à pedra
o seu corpo de âncora e algas.
Sentindo os dedos das ondas, diz
baixo: te peço: me afaga.
Diz baixo, e é como se dissessem
a pele, os ossos, a alma.

Já perto vêm uns errantes,
envoltos em capas, em cotas.
O homem levanta um dos braços,
e todo, inteiro, invoca:
meu Deus, salvai-me, cobri-me,
deixai-me liberto da horda.

A tropa, ó talho e gume!,
começa o escárnio, a não-dança.
Toma de facas, de maças,
golpeia o que a fúria alcança.
O homem se estende, sorvido,
tritão destituído da lança.

A ira, agora contida,
contente de seu linguajar,
sorri vendo o homem, seu peso,
que o impede de se levantar.
Também a dele leveza,
levada ao jugo do mar.

Rumo ao festim

O Ser adeja imponente
e desnudo e circunciso.
Abre a boca e se afigura
um terceiro sol na face.

Preparo as fundas de jade,
arremesso-as em seu rosto.
Do olho vazado bebo
marfim-lava, eu gozoso.

Inteiriço, também triste,
ele me fita, insone.
E tremido eu lhe cravo
minhas garras em seu corpo.

Em meu rosto esfrego carne:
uns nacos e muito sangue.
Minha pele se avermelha.
E a língua lambe, lambe.

O Elefante

        O elefante passou por entre as gentes
             e todos pararam para observar !

Seu olho é um lago escuro-prateado
       (um lago com tromba e patas).

É sempre uma candura;
        o de-baixo-da-tromba, um sorriso.
Embora se pense,
   em testar-lhe o passado,
       que existem laivos de tristura.

Eu miro seu olho
            (espelho tranqüilo).

Eu miro esse olho e então me desdigo,
      pois sua tristura
          de olhos que viram o não dito
             me fere com farpas o em que acredito,
                o de que eu quero me lembrar:

 O elefante é uma criança
  (ainda imaculada).

Se um elefante visitasse meu jardim
  (e pisasse as tulipas),
eu sorriria.

Aforismo

Sou ladrão. E Deus
coloca o dinheiro
gracioso na
minha mão, dizendo:
vai comprar.

Picadeiro

Eu não quero soltar os liames — eu o disse?!

Quero, em pose de estar
em catedral, gritar a ponta
primeira e discorrer dum
extremo a outro (que não
se encontra, estando a corda
ainda a se tecer).

Que seja tecido o
cordel, estendido.
Amarrar o liame,
nós de bicho em
perigo de fuga.
Tenso, hirto, corda
em harpa trinando
uns seus compridos cantares.

Saio da terra pisada
e me encontro alçado a
uma altura: um suspenso
de Ser trapezista
que sai do piso inglório
e sobe ao fio

plantado no alto pelo seu antigo pai.

Elogio do Belo Monte 

Vaca palustre.

Agrada-me isso de vaca palustre…

Ventruda, os olhos fitos na cria lassa:

Eurico, Estela, Jacinto, Amália…

Põe-se a gritar, cravando as patas no charco.

Andam trôpegos, sonambúlicos,

Os corpos imersos no lodaçal.

Onde está nossa mãe?

Cá estou.

Onde está nosso leite?

Cá está.

E tornam-se fortes, trincando os dentes;

Baba viscosa a lhes escorrer.

Tomam os seios da mãe, generosa;

Puxam-lhe as carnes, sugando-lhe a seiva.

Ressequida paira a mãe,

fincada quadrúpede; os filhos correndo em derredor:

Onde está nosso leite?

Cá está. Cá está vossa mãe.

Ressequida, angulosa. Os flancos inertes.

Túrgidos os seios. Os cornos antenas ao alto.

Cá está vossa mãe. Onde estás?

Cá está vosso leite. Vinde tomar.

E vêm prestos, ricos; ferindo-lhe nas mordeduras.

Com o leite que bebeis, que pensais vós?

Não somos de pensares. Somos de beberes.

Mas… com o que recebeis, que pensais vós?

Somos de receberes.

Não vai algo de mim aí junto de vós?

Não lembrais de mim ao vos saciardes?

Ah fortuna atroz.

Cercam a mãe seca de seios inchados.

Cospem-lhe a face. Desferem-lhe escarros.

Pulam ao alto e caem em seu dorso.

Patadas febris afundam-na ao fosso.

Enterra-te. Vai, presença penosa.

Por que não o leite sem tuas lembranças?

Por que tu te grudas em nossa memória?

Vai tu e teu leite. Vai embora, nefanda.

Soltam risos argênteos; mutantes

Saltando em cirandas.

Cá está vosso leite… vinde tomar…

Minha cria amada, onde estás? Cá está vossa mãe.

Vetusta, perene.

Vaca palustre.

 Inquirição

Quanto de grãos cabe
em tua mão, até

escorrerem n’água,
tu imerso no mar?

Serás como eles,
diluído ao fim?

Ou te juntarás?

 E Hoje Diria Não ao Paraíso

E hoje diria não
ao paraíso. Se ele

é, mãos dadas, imenso
clamor no riso. Tanto

correr rumo ao abraço,
tanto alvor no início.

E logo, monte e altura
mudam-se em precipício.

Os Dias

Querem dizer que Teu Beijo
não se me gruda às entranhas;

querem que ele, em meus meios,
não me lance às empresas.

Como não fossem Teus Dedos
grossos e longos, totais.

E nem o Teu Corpo quente;
e o canto inebriante e largo.

Querem que Tu, em mim, (tão
bravo!) sejas sempre alheio.

Querem, por vã teimosia,
que não estejas em meu seio.

E que Tu não me acompanhes
quando eu indo às minhas compras.

Querem que em Te beijando
não seja o meu lábio sério.

Ah os néscios… Ignotos não sabem…
Não trazem na boca o rico sabor do mistério.

Poema Quase Bucólico

A flauta, a serpente,
é de si que ela se engorda.
Enlevada e cegada,
de sua vista se enamora.
Prenhe, e já abortada,
a si mesma ela devora.
Surda, ébria, insensa.

Ó Incestos!
Ó Caixas!
Ó Pã-d’Horas!

Historieta

A bola rolou a encosta (deu no vilarejo) e todos acorreram (lépidos, para vê-la). Era robusta e vinha cheia de cicatrizes (a superfície marcada) (interior em repouso de certezas) (atraiu os povos), e de todos os cantos vieram enxergá-la (caravanas de famílias e cachorros) (bodes e cabras). Mas ela, sentídica, espelhava em si os quantos rostos se lhe mostrassem. E todos fugiram, espavoridos (tomaram de seus pertences), deixaram as casas (só ficaram os animais). Deram antes ordens às aranhas para que tecessem as teias sobre “aquela monstruosidade”. Elas não o fizeram como mandado (atapetaram um ladeado de prata). Ao redor da espelhada redondez foi erigido um altar de pedras (trabalho dos bichos silvestres) sobre o gramado nascido. À noite, vaga-lumes tremeluziam. Dia e noite presenças em seu derredor. Cantos laboriosos. Louvor, exaltação. Não poderia ela — nunca! — ser abandonada; jamais ela veria a plena desolação.

Ladainha Que Não É

O Senhor é pesado,
árvore caindo sobre o lenhador.

Arrepende-me o ter-lhe batido à porta,
arrepende-me.

Solidão em Três Tempos
(Para as Duas Belas e Eu)

I
Meu nome é flor
E água correndo.
É cristal.

Quero torre portentosa
E uma minha efígie
Plantada em seu alto.

Sou sacerdotisa
De múltiplas faces,
Lápis-lazúli contorna-
  -me o olhar.

Quero a corte dos silenciosos,
Olhares oblíquos sobre meu passear,
Eu a própria obliqüidade, uns meneios
de ancas. O olhar colossal.

Erigida me foi a efígie. O portento
Me foi dado, mármore e friez.
Oh gelo tocando minh’alma,
  Inferno e pequenez.

Os charutos queimam-me a carne,
Evolo-me nas cigarrilhas,
Danço fingida o tango,
  Silencio en la noche… en la noche.

Ah, torre maldita,
Por que te saíste tão alta?
Ninguém me alcança a mão.
  O veludoso dos dedos
  Não toca a minha cara.

II
Tens a face vermelhusca.
Quero quartos e claustros,
Jardins largos, extensão.

Babosas e papoulas por entre meus pés.
Acácias, muitas acácias;
Jasmim, lírio, nenúfar.
  E uns tufos de junquilho para me abrigar.
 
Também dourados, róseos, brancos.
Um furta-cor, um fosco.
Azul será bem vindo.  
  Anil, celestial.

Larguras, construo larguras.
É preciso espaço
Para o madrigal.

E luzes. Mandei irisar uns vazios.
Esquadrinhai os vazios. Esquadrinhai.
Serei levada em nuvens de luz.
 
Tamanho temor de ser tão só,
Criei minhas lamparinas, azeitei
As lâmpadas e foram centenas
  que espalhei.

Não há quem toque uma gota
De óleo em minha lucerna?
Não há?
  Cansa-me uma boca tão grande,
  Pendurada à minha frente,
  Tão grande e tão muda.

III
Ah fáustico, fáustico ser,
Maldição. Bênção e
Maldizer. Tivesse um outro coração…
Pudesse outra vez escolher…

Nem Repouso e Nem Consolo

Nem repouso, nem consolo,
nem nuvens e nem dosséis.
Só o grito entumulado,

e tumores, e ilhados
pensamentos de azinhavre
e feno e fel. E suspiros

de enxofre exalados — eis
meu céu: ferro, chumbo, cinza,
osso, tíbias diagonais.

Extremado, ruidoso,
um cair d’anjos e tais.
E o grito entremeado.

O meu outro é o Nunca Mais.

Definição

Há muitas fomes
dentro de mim,
bocas enormes.

Meu nome é Fome.

Litúrgico

Santo Santo Santo (Kadosh!!!)
Senhor Deus de Meu Universo.
Meu céu e minha terra proclamam:
É tua a Grande Glória. Hosana
Nas alturas e em minhas depressões. Hosana!
Bendito! Benvindo o que vem e é
E seu nome é Senhor. Hosana
Em Suas Alturas. Hosana nas minhas baixuras.
Hosana. Hosana. Hosana nas amplidões.

Os Comensais

Lento, passo pela porta;
as vestes se transfiguram;
recebo abraço apertado,
dado num extremo de afago
qual quem atento esperava.

E o rosto, que reconheço,
diz-me, junto com seu beijo:
Bem-vindo, bendito e amado,
à casa de nosso Pai.

A mesa está preparada:
pratos postos, ceia farta.
São Três os que me convidam
para à mesa sentar.

Plena, transborda-me a taça.

Hoje haverá festa.

Camafeu

A palavra é a infância
do menino, a infância
do adulto. Sua morada
e resíduo.

É de quando a poesia
dardejava os cantos,
os altos, as planícies,
o mundo.

Ela é a bola de cristal
de Dona Jurema. E também
as suas cartas. E as linhas
gravadas nas mãos espalmadas
dos homens.

As linhas e seus de-entre.
É o grito que ficou
guardado no baú antigo
da avó, cortando fatias de
manga para depois do almoço
 — ô momento esperado…

Sentados todos à mesa,
as folhas da grande árvore
cobrindo a casa imensa
com sua sombra espraiada
até os fundos quintais.

O terreno largo estendido
até para além do tempo
nos olhos do menino
que cerrou os seus lábios
mantendo segredos futuros.

É escavoucar o terreno
para se chegar ao Japão
pelo túnel imaginário
até ver os homens-de-olhos-puxados, de-ponta-cabeça,
umas-sombrinhas-a-proteger-lhes-do-sol-nascente.

É ter coragem para tirar
o véu desde um instante
existente. Descido para então
se ter, no homem graúdo,
saudades imensas

do que depois se mostrará
em tentativas de inteireza.
Uma busca grandiosa
de dizer um dia: Encontrei:
Revi a caixa preciosa. E estou impressionado.

 O Filho Pródigo

Sou filho do Rei,
Amante e Amado —
sou Príncipe, vestes
com Ouro de Ofir.
Tapetes dourados,
paredes com seda,
no largo palácio
a única sala
é aposento e torre.
Eu miro os lados,
eu miro os baixos,
eu miro as frentes,
eu miro os altos.
Os dentros encontram
Meu Rei num abraço.
— “Que queres, meu Rei?”
— “Vou te coroar!”
Dançamos a valsa
dos tempos somados.
Um único gozo,
um único olhar.

Escatológico

Em trio proferem Amém.
E é uma só voz, contínua.
Do sempre ao sempre: Amém.

Ouve tu, agora,
encostando o lado à porta.
Ouve, vagaroso,
com aquela orelha morta.
Com o ouvido atento,
perfaz as sonoridades.

Há voz que tu vês ubíqua,
como se ela se espalhando,
aqui e ali já estando.

E outra que vem recatada,
quase muda e quase nada,
somando-se àquela, extensa.

Juntas, é a mesma a primeira;
a segunda se aprimora.
De tímida, é sonora;
lenta, com certo vagar.
Como se sendo tranqüila,
certa, inteira cumprida,
e também personalíssima
e absorta em seu cantar.

A voz, que no instante é una,
não tem em si distinção;
quatro dizendo as palavras,
mas com uma só canção:
perpétua, plena e redonda,
longiplana sobre os vales:
É dada a consumação!

Agnus Dei

Sonhei:

descalço corria,
os flancos chagados,
as marcas no chão.
Fugia dos povos,
fugia das mãos.
Puxavam-me as vestes,
rasgavam também.
Pisavam-me as vestes,
pisavam meus pés.
Larguei-as no piso,
o meu corpo nu.
Pulavam em gritos,
pulavam em risos,
e eu, não-aflito,
fui em procissão
à frente do Pão.
Comi-o sereno,
a turba em redor,
em pulos, em saltos,
em pele e suor.
Uns, muito extremados,
cuspiram-me as mãos.
E no outro dia,
de casa eu saía,
fui sangrenta hóstia
para a multidão.

Este Poema Me Vai

Este poema me vai
com modos de se fazendo,
como quem vai tateando
seu assunto, lento, lento.

Este poema só trata
da coisa que a pele marca;
da coisa que o olho fere
ou que a ele muito afaga;
da coisa que a nosso olfato
nunca nunca desagrada —
ou mesmo que desagrade,
mas que imprima sua estada;
qual a coisa que no lábio
é veludo ou uma faca;
ou que se tocando a língua,
esta seca ou se encharca;
ou de outra, que no ouvido
é sussurro ou estaca.

Este poema só fala
de alguns ramos de açucena
se eles se mostram à frente
ou gravaram-se à memória.

Se neste poema bóia
fina ou grossa arquitetura
de uns engodos só mantidos
com seus fins à formosura,
simulando paraísos
por quem mais viu a tristura,
e esse mesmo paraíso
é mais sonho que verdade —
tal poema muito peca
por querer dar-se em calor
numa pena que é só frio.

Por isso muito se evola
e por isso é muito fraca
a palavra que não trata
do que se imprimiu ao corpo
ou que já marcou-lhe a alma.

Ele trate de algo ausente,
mas que deixe sua presença.
Como um sonho que tão forte
é  tão vivo quanto a vida;
um desejo que, tão fundo,
deixa a carne toda à vista,
dando a marca que é da alma
à pele agora ferida —
pele, pêlos, poros, seivas;
vaga e vida entrelaçadas.

Por isso muito se evola
e por isso é muito fraca
a palavra que não trata
do que se imprimiu ao corpo
ou que já marcou-lhe a alma.

Por isso o poema finda.
Por isso o poema acaba.

Neste poema não cabem
a dor e sua fumaça.
Neste poema não cabe
palavra que seja amarga.

Só cabem neste poema
o indizível e seu halo.

E eu me calo.

Incenso

Eis: a verdade expelida como em vômitos.
Em espasmos o que há em mim. De bom.
De ruim.

Vinde. Perscrutai debruçado a massa informe.
Examinai-a com instrumentos;
adequai-vos à função. Com zelo investigai.
Achais o que pretendeis?

O que pretendeis?

Vinde. Atentai:
há vermes lavrando a pasta.
Mas ponde tudo em cadinho, lançando-o às chamas,
e tereis odor de flores.

Há pétalas em meio aos vermes.
As cinzas repousam no crisol. Sobe o fumo.
Enche-se de alfazema o ar.

Poema Dedicado a
Alongado Qual Figura de El Greco Enaura (quixabeira rosa), Joaquim (lúcio cardoso) e Jorge (de lima).
Presença Lygia Fagundes Telles.
Teorema Pe. Henrique Soares.
Elegíaco Vicente Ataíde.
De Profundis Paulo Valença
Solidão Em Três Tempos (Para as Duas Belas e Eu) Hilda Hilst, Lygia Fagundes Telles. Meire Lima .
O Filho Pródigo Irmã Sofia Duba.
Este Poema Me Vai  Milton Rosendo.

Mas antes

do dourado

da abóbada

há a escuridão.

E ainda,

antes desta,

a abóbada.

         (1992: O Princípio.)

Nada sou. Tudo sou.

A órbita de Mira-Celi é imensa

e nela ainda há consolos que nunca foram ditos

à falta de palavras na linguagem dos homens.

         Jorge de Lima

Extrema, toco-te a boca como quem precisa

sustentar o fogo para a própria vida.

         Hilda Hilst

Tudo é Bíblias. Tudo é Grande Sertão.

         Adélia Prado

Nilson Patrício: Ainda bem que existe

                                      O Salvador.

…abcd

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pq

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uv

wxyz…

  1. David Melo
    24/04/2010 às 10:23

    E então, quando sai o próximo livro de poemas?

    Obs.: Adoro “O elefante”!

    • niltonresende
      24/04/2010 às 11:10

      david,
      poemas, por enquanto, demoram.
      estou trabalhando mais com prosa. mas, sem prescindir da poesia.
      tô revisando os contos do “diabolô”. e começando o romance.

  2. Nando
    26/04/2010 às 10:32

    É um Prazer te ler sempre, meu amigo! Segue em anexo um abraço apertado. Beijão!!!!

    • niltonresende
      09/07/2012 às 01:13

      tempos depois: obrigado, nando.

      beijo.

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