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“viado”

viado

Era a janela do quarto, e dava para a rua. Ele era um dos meninos mais bonitos da rua e entrou por ela e fechou-a. Tudo rápido, logo estava nu e me abraçava e esfregava o pinto em mim e tirava meu calção e se esfregava no meu pinto. Ele tinha uns 15 anos e iria casar-se pouco depois; eu não sei quantos anos eu tinha, mas tinha menos de dez, menos de nove, acho que foi antes de eu ver um rapaz ainda mais velho que ele mijando na parede e chamando minha atenção para eu ver ele balançar o pinto; foi antes de um dos meninos da minha idade correr atrás de mim, gritando pela rua, para me bater, sob os gritos dos maiores, que o apoiavam; mas foi depois de eu apanhar quase todos os dias na escola, durante o recreio, eu o mais novo da sala sendo jogado no chão em rodopio pelo menino mais velho, que segurava minha camisa e puxava-a e me rodava até que eu caísse, quando não apenas me empurrava, pelo simples prazer de me ver no chão, eu o mais novo da sala, mas o que era querido da professora e da diretora e tirava notas boas e gostava de fazer leitura em voz alta. Foi antes de eu ir à praia com uma amiga e um homem se masturbar sob um caminhão enquanto nós passávamos. Foi antes de eu sentir com mais ênfase a fúria dos machos. Ele entrou pela janela e fechou-a e ficou se esfregando em mim, nós dois no meio do meu quarto, ele mandando eu encostar o pinto na bunda dele e ele encostando o pinto na minha bunda, e depois nós dois frente um ao outro, até ele mandar eu botar a boca no pinto dele e de repente sair uma coisa e cair no chão e eu achar estranho que de repente o chão estivesse com gotas de catarro e eu me perguntar se ele estava doente, porque eu não sabia que saía catarro do pinto da gente, e eu achava catarro nojento, eu nem gostava de vitamina de abacate, porque o liquidificador parecia um monte de catarro. Daí ele vestiu o calção e eu fiquei olhando o chão. Ele foi pra janela, olhou se tinha gente por perto e pulou pra fora, e olhou pra mim e disse “você tá lascado; se você falar pra alguém eu vou falar que você é viado”. E eu o vi afastar-se e entrar na casa dele e eu fiquei me perguntando por que eu tava lascado, se foi ele que pulou a janela, se ele que me abraçou. E tive medo de que alguém olhasse pra mim e descobrisse o que havia acontecido, e nunca mais olhei para ele direito, e ele nunca mais olhou para mim direito, e guardei aquilo como um crime que eu tivesse cometido, porque eu tinha medo de que alguém soubesse e dissesse de novo aquilo que ele me disse de modo tão agressivo, porque mesmo dizendo baixo era agressivo: “viado”. E antes de o medo se estender para o resto dos anos, eu fechei a janela e olhei o quarto, olhei para os lados, olhei para o chão e fiquei tentando entender como podia ter sido aquilo de ali, em frente a meus pés, haver aquelas gotas de catarro.

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