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Maceió em caos – trânsito, manguezais (um banquete de um lambendo o rabo do outro). E rogos de pragas e maldições.

Há alguns anos, li que Maceió seria a cidade brasileira que teria o maior número de veículos per capita. Densidade “carrográfica” enorme – e que vem aumentando assustadoramente (todos nós que moramos aqui sabemos disso, sofremos isso).

Toda pessoa que possuir um veículo automotor deverá pagar o IPVA, que é calculado a partir do valor do veículo, sendo 1% para veículos destinados a locação e para os que utilizam Gás Natural Veicular (GNV) e 2,5% para os demais veículos.
O recolhimento do IPVA é anual e 50% do valor arrecadado é destinado ao município onde o veículo foi licenciado.

Assim, Maceió seria a cidade brasileira que mais arrecadaria esse imposto. No entanto, sabemos que esse imposto não é revertido para a manutenção das estradas, das ruas, avenidas… nem para a solução dos graves problemas que existe no nosso tráfego.
Há alguns anos, vem sendo feita uma maquiagem para minimizar os problemas – apenas uma maquiagem. Mas, se o imposto tivesse sido continuamente empregado, não estaríamos na atual situação.

Qualquer cidadão comum, se não paga seus impostos, é preso. Deveriam então ser presos ou perderem seu cargos os administradores que não aplicassem devidamente os impostos recolhidos.

A merda é eu dizer isto aqui e, ao fim, me sentir um idiota, um ingênuo, porque as leis são feitas por um bando de gente que não precisa se preocupar em limpar o próprio cu, uma vez que há um outro vindo logo atrás, com a língua estendida e o lencinho de lavanda na mão, como uma centopeia terrível que andasse com pés de chumbo, pisando todos nós.

Sobre o assunto, ver: Breves considerações sobre o trânsito de MaceióTrânsito de Maceió, O que é IPVA? , O que é IPVA.

Há pouco, vi uma notícia: IMA alerta para ocupações ilegais na AL-101 / Construções sobre o mangue e na beira de lagoas ameaçam área de proteção ambiental.
Reproduzo-a aqui:

A obra passa, mas velhos problemas se multiplicam após a duplicação da rodovia AL-101 Sul. Principalmente no trecho ocupado por bares, restaurantes e moradias, próximo à ponte Divaldo Suruagy. O avanço de construções sobre o mangue e a ocupação desordenada na beira da Laguna Mundaú ameaçam a Área de Proteção Ambiental (APA) da Ilha de Santa Rita e deixam os órgãos de fiscalização em alerta.

O Instituto do Meio Ambiente (IMA) apresentou ontem dois relatórios que destacam a gravidade do problema, não só na AL-101, como num trecho da Laguna Manguaba, embaixo da ponte do Broma, transformado numa favela que não para de crescer. “Estamos com um foco estratégico, reunindo todos os atores para realizar um diagnóstico socioeconômico, ambiental e disciplinar destes problemas, não deixar que ocorram novas invasões”, ressalta o presidente do IMA, Adriano Augusto.

Por exemplo, dezenas de ambulantes já aproveitam a retirada do canteiro de obras para se instalar na orla lagunar, próximo à ponte Divaldo Suruagy. “Hoje eles são ambulantes provisórios, amanhã semiprovisórios, depois começam a se instalar aos poucos, até ficarem definitivamente na área”, adverte o presidente do IMA.

Na reunião com integrantes do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Secretaria de Patrimônio da União (SPU), Prefeitura de Marechal Deodoro, comitê de bacias hidrográficas da região e outros órgãos, o IMA alertou para os danos causados ao manguezal e à APA como um todo. Adriano Augusto iniciou o debate criticando a velha postura de se permitir a ocupação, por ineficiência dos órgãos fiscalizadores, e depois ‘pagar uma grana alta’ com indenizações.

O relatório do IMA verificou que donos de bares indenizados para deixar as margens da AL-101 estão ocupando novas áreas, com perímetros bem maiores do que os anteriores. Na área da ponta, foram construídas 17 moradias e, segundo o relatório, constatou-se que esta ocupação vem provocando ‘efeitos negativos no ecossistema, como suspressão [sic] vegetal, aterro e compactação do solo, lançamento de resíduos sólidos e de fluentes”.

É interessante ver (mais uma vez) como são distintas as ações frente a alguns crimes, dependendo de quem os comete.

Favela, bares, meios de sobrevivência dos menos favorecidos são imediatamente tidos como ameaças ao meio ambiente.

E quando se construiu o Shopping Iguatemi sobre a área de um manguezal, destruindo a fauna e a flora do local?

E quando foi construído o chique Condomínio Laguna, destruindo outra grande área de mangue, agora na Ilha de Santa Rita, município de Marechal Deodoro?

Vê-se então que o problema não está na ameaça ao meio ambiente – o problema está em quem ameaça e em quanto dinheiro o ameaçador coloca nos bolsos dos poderes públicos e das construtoras. O Instituto do Meio Ambiente, aqui, é uma imensa vergonha. É uma vergonha como o são todos os tentáculos do polvo-medonho que é (e sempre foi) o Governo do Estado de Alagoas e as prefeituras dos municípios deste Estado.

Mas, diz-se que, vez ou outra, algumas pessoas, vendo sua impotência frente a tudo isso, quando passam em frente ao Shopping Maceió (antigo Iguatemi), rogam pragas, tais como o desejo de que o mangue cobre o que é dele, e o terreno ceda e tudo aquilo seja engolido. Diz-se que.

E também que umas outras pessoas – ou até as mesmas -, ao passarem em frente ao Laguna, fecham os olhos e sorriem, imaginando um pequeno tsunami tornando em pântano a soberba construção. Diz-se que.

Mas, todos sabemos, diz-se muita coisa por aí.

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  1. Rapha Elias
    28/10/2013 às 16:04

    Incrível, eu como um pequeno conhecedor da sua pessoa ter o prazer do contato de seus textos sobre nossa realidade político-econômica. Sucesso Veio!

    • niltonresende
      16/11/2013 às 23:52

      obrigado, rapha.
      apareça mais vezes ;=] .

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