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Os Perenes Outdoors de Maceió : Diversos mandatos, Poucas benfeitorias

Acabo de voltar de um passeio pelo bairro em que moro, o Tabuleiro do Martins. Fui a pé, porque não tenho paciência para esperar ônibus e não quero pegar ônibus cheio e  a tarifa  é alta para os serviços que nos oferecem – e eu gosto de caminhar e a distância não justificaria eu gastar dinheiro ou ficar ainda mais sedentário ou dar grana para os donos das companhias de transporte urbano.

Tabuleiro do Martins

Mas, como dizia: eu passeei pelo tabuleiro (olha ele aqui na Wikipédia). Fui procurar uma auto-escola. Sim: vou fazer aulas de direção. Mas, não achem que quero botar mais um carro no mundo, não achem que quero colocar mais um carro no imprensado das ruas maceioenses – nada disso. Eu quero, isto sim, saber dirigir para poder concorrer em algum teste de elenco que procure um ator que tenha essa habilidade. É apenas uma busca de diminuir minhas limitações como artista.

Explicado, vamos ao centro desta postagem: passei pelo tabuleiro, e fiz questão de voltar para casa por uma rua que eu frequentava na adolescência (isso entre 1984 e 1987), a rua da Paz. Lá, morava uma grande amiga, a Ju. Passei por lá e procurei rever a casa em que ela morava. Reconheci-o. E, infelizmente, reconheci também a rua de barro, os esgotos a céu aberto. Tudo está o mesmo, ou pior do que o mesmo, porque está há décadas assim.

Então, me pergunto: o que fizeram os políticos cujas plataformas foram trabalhar pelo povo tabuleirense? O que fizeram eles?

Para o povo, como políticos seus representantes, não sei. Mas, sei que construíram outdoors perenes para si mesmos. Outdoors que não poderiam existir, por serem uma eterna campanha política. Eles, em vez de lutarem por melhorias vindas através de leis ou benefícios coletivos, vestem a capa de benfeitores. mas, suas benfeitorias devem ser feitas nos bastidores.

Esses sim são lobos em pele de cordeiro.

Vamos aos outdoors:

Instituto Galba Novaes (em plena Avenida Durval de Góes Monteiro) – Outdoor enorme e em ótima localização.

Para complementar, ele ainda é sempre lembrado a cada vez que houver uma plenária (o lindo costume de se “homenagear” pessoas vivas):

Para acessar o site do senhor Galba Novaes, clique aqui.

Também é homenageada outra figura ilustríssima de nossa política, sempre lembrada a cada vez que alguém passa por um viaduto terrível, que parece ter sido feito por alunos do primeiro ano de engenharia civil (talvez os alunos tivessem feito algo melhor):

 Outra figura que desfila pela nossa cidade. Não contente em ter um outdoor estático, ela opta por um sempre em movimento. Isso sim é marketing:

Fátima Santiago, a médica que presta serviços à comunidade. Eu me comovo ao ver isso, ao ver tal empenho em cuidar do outro. É mesmo uma samaritana, como podemos ver em seu site, afinal, ela “faz bem, faz para todos“. Clique aqui para visitar seu site e ver suas obras. Faz sim, principalmente para ela mesma.

Aqui, a descrição de sua obra, que se chama Instituto Nossa Senhora de Fátima: “O instituto Nossa Srª de Fátima foi fundado no dia 15 de junho de 2002 pela vereadora Fátima Santiago. Localizado no Conjunto José Dubeuax Leão, a entidade, que não tem fins lucrativos, tem por objetivo promover a ética, a cidadania e os direitos humanos, através de ações sociais destinadas ao público mais carente de políticas públicas.” Mais uma vez, eu me emocionei.

Então, é bom acabar logo esta postagem, antes que me desidrate.

Mas, para fechar, há ainda Givaldo Carimbão, dono da Fundação Givaldo Carimbão. Infelizmente, não consegui imagens de lá, mas ela pode ser vista quando se passa pela Durval de Góes Monteiro. Está sempre visível. Sempre.

Agora, depois de tudo isso, fiquei me perguntando: que obras eles fizeram enquanto vereadores ou deputados? Que benefícios reais foram recebidos pela população dos bairros que eles representam, que benefícios receberam seus eleitores, sem ser os feitos pelos seus institutos, perenes propagandas políticas descaradas e à frente de todos, inclusive daqueles que cuidam das leis e deveriam vigiar esse tipo de absurdo?

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  1. Shirley
    25/06/2012 às 15:19

    Bem, quanto ao Galba Novaes, até onde sei quem foi homenageado foi o pai, já falecido, que tem o mesmo nome. Mas mesmo que isso seja verdade, não deixa de ser uma propaganda perene, como diz vc. Muito bem observado, Nilton.

    • niltonresende
      25/06/2012 às 18:39

      Shirley,
      obrigadíssimo pela visita e pelo comentário.

      Pensei em retirar a foto, mas vou deixá-la aqui. Afinal, é muito interessante haver uma homenagem a um pai que tem o mesmo nome do filho. Interessante e útil.

      E talvez o nome do instituto também seja uma homenagem de um filho a seu pai, né. Talvez seja, mas serve de outdoor para o filho.

      Valeu, Shirley. Beijão. Saudades.

  2. Ben
    26/06/2012 às 01:42

    Eu lembro bem quando o Ciço ameaçou nomear o viaduto com o nome de seu patrocinador. Lembro como hoje, na lista do ICHCA, todo mundo revoltado e fazendo diversas menções a uma lei que proíbe homenagens a pessoas vivas. Então pensei “ah, tem uma lei, poxa, então não emplaca”. Mas toda vez que passo nesse viaduto, um pouco da minha cidadania se dissolve.

    • niltonresende
      26/06/2012 às 02:00

      sinto o mesmo, ben.
      o mesmo.

  3. Rosana
    26/06/2012 às 09:40

    Perfeitas observações, Nilton!!
    Penso que esses benfeitores entendem, e muito, de publicidade, pois suas benfeitorias se resumem nisto.

    • niltonresende
      26/06/2012 às 10:51

      pois é,
      rosana.
      infelizmente. infelizmente.

  4. 07/07/2012 às 16:14

    Meu caro amigo, apenas uma observação: A foto do Instituto Galba Novaes que você postou é o de Bebedouro, ou seja, o ilustre parlamentar possui mais de um outdoor, para garantir a visibilidade. Oops, quero dizer “Fazer a grande obra”.

    • niltonresende
      07/07/2012 às 17:06

      é, jackson.
      postei das duas fotos e me esqueci de fazer a distinção.

      eu me esqueci de dar o devido crédito a como “a grande obra” é ainda maior do que se pode imaginar.

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