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Alagoas : Que intervenção queremos? De que intervenção precisamos?

Há pouco, assinei uma petição pública em que se pede uma intervenção em Alagoas no que diz respeito à Segurança no Estado: http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N25177 .

Depois, conversando com uma de minhas irmãs a esse respeito, ela levantou  problemas que uma intervenção pode acarretar, dependendo de como ela seja feita.

Eu me lembro de que, quando criança, havia na rua dois mendigos: o Mudinho e a Mudinha (ambos sempre levando consigo uma cesta de feira onde colocavam a comida que as pessoas doavam).

Na década de 90, começamos a ver em Maceió a primeira leva de moradores de rua: pessoas que haviam perdido seus empregos na usinas (principalmente em Pernambuco) e tinham vindo a Alagoas na busca de uma vida melhor. Não encontraram o que buscaram e passaram a viver nas calçadas. Foi a primeira geração. Depois, vieram outras, que cresceram na rua, em condições nada humanas.

Hoje, vemos o clamor nas redes sociais por causa de uma morte que abalou a opinião pública.  Haverá uma passeata no Corredor Vera Arruda, onde foi assassinado o médico José Alfredo Vasco Tenório. Mas, já tivemos muitos motivos para passeatas, antes.  Esta é tardia e acontece porque a ferida doeu numa parcela da sociedade que se sentiu acuada. Mas, outras parcelas já foram feridas há tempos.

Reproduzo abaixo o texto que minha irmã postou em seu perfil no facebook:

Devido aos ultimos acontecimentos do cotidiano alagoano envolvendo episódios de violência, tenho presenciado uma discussão maior com relação a essa problemática. Acho um ponto positivo essas reflexões, mas creio que muitas vezes elas se dão de forma atrasada e pouco direcionada para o problema fundamental.

Com relação ao atraso, creio que direcionamos a nossa discussão sobre esse ponto a partir do momento que as ações criminosas se tornam mais visíveis, em especial quando atinge a classe média. É uma reflexão salutar, bem-vinda, mas atrasada porque nem sempre nos indignamos nas constantes mortes que há muito têm sido direcionadas aos jovens, em especial das periferias que rondam a nossa cidade.

Com relação ao problema fundamental, eu tenho medo com relação a esse clamor da sociedade por segurança pública. Clama-se por ela mas não se discute como ela deve ser inserida. Vivemos numa sociedade que exclui e pune parcela considerável da população, e essa ‘segurança’ perpetrada por nossos governantes pode na verdade se transformar em formas punitivas sobre determinados setores da sociedade, sem uma discussão a respeito de falta de educação, emprego, lazer, entre outras coisas. Elementos tão sofridamente sentidos por essa população excluída.

Então que tal refletirmos sobre a possibilidade de uma intervenção na Assembléia Legislativa, de uma segurança contra alguns membros do Estado que na verdade são os verdadeiros culpados da crescente criminalidade que reina em nosso Estado?

Enfim, isso é apenas um desabafo de quem teme os caminhos que podem gerar essa chamada ‘segurança pública‘.” (Solange Enoi Melo de Resende).

Os vereadores aumentaram seus salários e nós não pedimos uma intervenção. Nós omos vilipendiados constantemente pela corja de políticos que diz nos representar, e não pedimos intervenção.

Mas,  queremos uma intervenção sobre os bandidos – os bandidos pobres, que matam num átimo. Pedimos essa intervenção, sem nos lembrarmos dos bandidos que nos matam lentamente há décadas.

É preciso uma mudança geral. Não adianta uma intervenção apenas repressora sem mudar a base causadora do estado de penúria de nosso Estado. Sem nos tirar da tortura constante a que somos submetidos, como eu disse no post anterior: Tortura : Torturas.

Passeemos por outros estados brasileiros, e veremos as UPA’s – Unidades de Pronto Atendimento. Quais foram construídas em Alagoas? Quais foram construídas em Maceió? E onde está o dinheiro que foi destinado a isso?

Na verdade, precisamos de diversas intervenções.

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  1. 29/05/2012 às 00:36

    Exatamente o venho pensando sobre a comoção que tomou as redes sociais nos últimos dias. Chega a ser patético o clamor por justiça desencadeado por um ato de violência em particular, quando Alagoas há pelo menos uma década encabeça a lista de estado mais violento da nação… E quer saber? Semana que vem os indignados de Facebook já terão se acalmado e ninguém mais se lembrará de violência, educação de merda, saúde-esgoto e da corja que habita o executivo, legislativo e judiciário. E em outibro mais bandidos serão eleitos, não só pela população mais pobre e vítima do populismo, mas por uma classe média/rica carregada de resquícios ainda patriarcais… Sinceramente, não vejo uma luz no fim do túnel.

    • niltonresende
      29/05/2012 às 00:38

      exatamente, fábio.
      exatamente.

      concordo totalmente com você. infelizmente.

  2. Silvana Chamusca
    29/05/2012 às 00:43

    Concordo com voce.O buraco é mais embaixo. Mas temos que começar por alguma atitutde, e neste momento, o mais importante é que estamos exercendo nossa cidadania, embora que tardia. O problema é sairmos da discussão e partirmos para a ação.

    • niltonresende
      29/05/2012 às 00:53

      exerçamos.

  3. Werner
    29/05/2012 às 11:00

    Os problemas são muitos. Qualquer alagoano com o mínimo de consciência sabe disso. Mas isso não impede de começarmos de algum ponto. E este é um ponto. Reclamar de quem reclama não é necessariamente uma ação. Indignado todos estamos. Mas e aí? Não fazer nada é melhor do que fazer alguma coisa?

    • niltonresende
      29/05/2012 às 11:05

      claro que não, werner. fazer algo é melhor do que fazer nada.
      esta postagem é apenas uma chamada para um fato em específico: a busca da ação motivada por um fato em específico: a ferida exposta em um determinado ponto da sociedade, justamente o que detém o poder.
      se essa parcela age, ótimo. a mudança fica mais possível.

      é apenas para isso.
      e quanto a ter o mínimo de consciência, lembremo-nos de que consciência é nada. porque há aqueles que têm um máximo de consciência e roubam e matam, como nossos políticos.

      não há aqui uma crítica a que se haja.
      mas, um chamado para que não se julgue estar fazendo algo maravilhoso que poderia ter sido iniciado antes, antes de se ter um corpo caído à própria porta, quando diversos outros corpos já foram derrubados à porta dos vizinhos distantes e mais mais pobres.

      que haja a ação. que haja o haver. que haja.

      abraço, amigo.

  4. niltonresende
    29/05/2012 às 11:24

    não questiono o movimento. questiono aonde ele vai levar, porque, agora, a ameaça que se mostra visível tem uma cara. principalmente a cara da periferia. e é contra ela que se vai agir.

    então, aproveitemos esse movimento e nos insurjamos de modo mais completo: insurjamo-nos contra a corja política.

  5. Grecie
    29/05/2012 às 12:06

    Em Minas Gerais, na cidade de Belo Horizonte, no ano passado eu participei nas redes sociais de uma mobilização contra o aumento dos vereadores, deu certo pois o Prefeito de BH Marcio Lacerda, vetou o aumento, não teve como não vetar, foi uma mobilização muito forte e séria, formou-se um grupo e fizemos vigília mesmo, ligando para a prefeitura, postando, passeatas, usando a mídia local e tudo que tinha ao alcance para fazer pressão, deu certo e a própria Câmara de Vereadores de BH soltou uma nota pública em horário nobre da Rede Globo tentando se explicar…
    Parabéns Solange! Temos que ir no cerne do problema….

    • niltonresende
      29/05/2012 às 12:28

      pois é, grecie,
      precisamos mesmo utilizar os meios que temos. e as redes sociais têm uma força incomparável.

      obrigado pelo retorno.
      e visite o blog sempre que puder.

      abraço.
      nilton resende.

  6. 29/05/2012 às 12:30

    Vcs concordam com o que o Fábio falou, reclamam pra caramba e oq fazem para tentar resolver? NADA. E o pior, em vez de aproveitar o momento de comoção para reivindicar outros direitos, ficam denegrindo e rebaixando os protestos gerados pelo assassinato do médico.

    Vocês que são patéticos.

    • niltonresende
      29/05/2012 às 12:31

      obrigado pelo comentário, Alexey.

  7. niltonresende
    29/05/2012 às 12:56

    É importante considerarmos uma coisa: não adianta enviar dinheiro para Alagoas ou Maceió e outras cidades alagoanas, se não houver uma fiscalização da aplicação desse dinheiro: lembremo-nos do dinheiro enviado para tratar as consequências das enchentes; lembremo-nos das Unidades de Pronto-Atendimento nunca construídas…
    Não basta mandar dinheiro para cá. É necessário mandar e cobrar a aplicação dele – total aplicação – no fim a que foi destinado.

    Nosso Estado tem um grupo de políticos que apenas vampiriza nossa população e suga dos cofres públicos.

  8. 31/05/2012 às 20:03

    Usemos o poder das redes sociais, da Internet e tecnologias semelhantes a nosso favor. Não está na hora de nos articularmos de alguma forma e acreditarmos que isso é possível? Tal como nas recentes revoluções do oriente médio e algumas partes do mundo árabe, tal como no relato da Grecie acima sobre BH. Qualquer iniciativa, um protesto, ainda que simbólico, já é um bom começo.

  9. 31/05/2012 às 20:13

    Nota: falo da intervenção que realmente precisamos, aquela expressa pela irmã do Nilton.

    • niltonresende
      02/06/2012 às 14:02

      sim.

  10. 12/06/2012 às 07:29

    “…pedimos essa intervenção, sem nos lembrarmos dos bandidos que nos matam lentamente há décadas…” Sábia reflexão. O lamentável é ver esse ciclo ser renovado no final do ano com as eleições municipais. Faço da letra da música TODOS ESTÃO MUDOS, de Pitty minha reflexão para este momento:

    “Já não ouço mais clamores, nem sinal das frases de outrora, os gritos são suprimidos
    O corvo diz: “nunca mais”. Não parece haver mais motivos ou coragem pra botar a cara pra bater, um silêncio assim pesado nos esmaga cada vez mais. Não espere, levante sempre vale a pena bradar, é hora alguém tem que falar.
    Há quem diga que isso é velho tanta gente sem fé num novo ar, mas existe o bom combate
    é não desistir sem tentar”.

    Saudações!

    • niltonresende
      12/06/2012 às 08:35

      pois é, bruno.
      terrível isso.

      em toda época de eleição, fico me perguntando se realmente o voto em branco ou nulo não pode ser considerado como algo eficaz.
      senti muito essa necessidade numa eleição passada, em que tinha de escolher entre a merda e o cocô.

      seria um ótimo modo de dizer que não queríamos nenhum daqueles, e que novos candidatos aparecessem.

      mas, sempre se diz que isso é errado, que dá votos a alguma legenda etc.
      não sei. me parece muito discurso de algum partido interessado em algo.

      não sei mesmo.
      pesquisei a respeito, à época, e me esqueci do que vi.
      de qualquer modo, as leis eleitorais (que não pensam em nós, mas nos próprios partidos, como todas as nossas leis – corporativistas) não nos ajudam.

      infelizmente.

      obrigado pela visita e pelo retorno.
      apareça mais =]. abraço.
      bom dia.

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