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“O morro dos ventos uivantes” : nova tradução e coisas mais

Local que teria inspirado Emily Brontë a escrever seu livro

Não é esta a primeira vez que tento escrever sobre O morro dos ventos uivantes (Wuthering Heights), romance de Emily Brontë – meu livro predileto, aquele que eu gostaria de ter escrito, apesar de suas arestas, de seus arroubos. Um livro que traz consigo o que eu quero um dia alcançar: uma obra violenta, humana, bela.

Outro autor em que vejo isso, e que quero conhecer mais, é William Faulkner. Parece-me que ambos são de uma mesma linhagem. E é deles que quero me embeber muito.

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Mas, aqui, falo do livro de Emily Brontë – melhor: aproveito minha admiração por ele para apenas dar uma notícia: a da nova tradução dessa obra aqui no Brasil, publicada pela L&Pm Pockets e empreendida pelo Guilherme da Silva Braga.
É a única tradução brasileira que deu atenção às variações linguísticas nas falas das personagens; em especial, na fala do Joseph. E esse aspecto é tão importante para o romance que rendeu uma dissertação de mestrado: “A tradução do socioleto literário: um estudo de Wuthering Heights”, de Solange Peixe Pinheiro de Carvalho (Usp).

 

Também é a única que mantém o formato original da obra, dividida em duas partes ou volumes (na edição da L&Pm, num mesmo tomo). Aqui no brasil, todas as traduções são numeradas até o capítulo 34. Muitíssimo interessante é como, estando o livro com essa divisão em duas partes, podemos perceber, na Emily Brontë, a consciência do recurso de manter o leitor em suspense (típico dos folhetins da época): a primeira parte termina justamente no capítulo anterior aos que, para mim, são o clímax do livro. Ela termina quando Heathcliff está decidido a ir visitar Cathy, que, dizem as notícias, está com a mente bastante abalada. Nelly tenta dissuadi-lo de sua intenção, mas ele está decidido a isso.
Ao começar a segunda parte, temos (o clímax de que falei acima) ele visitando-a (capítulo I) e ele praguejando por conta de sua morte (capítulo II), marcando realmente a guinada que o romance tem a partir da morte da personagem.

Isso é importante porque nos dá a assinatura da autora, a marca da quebra da narrativa, instaurando-se um novo momento a partir de então.

Para mim, foi até emocionante folhear o livro e ver aquela divisão – como se eu tivesse podido ver Emily Brontë pensando: “agora vai começar um outro momento”.

Acabo de folhear duas edições da Penguin Books (de 1965 e de 1994) e vejo que nem mesmo nessas edições a divisão em dois tomos foi mantida.

(1965)

(1994)

Parabéns então ao Guilherme da Silva Braga por ter feito essa opção. Fico muitíssimo grato a ele, por, de certa forma,  nos ter dado a obra em seu formato original e por nos permitir sentir a quebra da história, a sua mudança, a outra vida instaurada a partir da morte de Catherine – e, consequentemente, da morte da alma de Heathcliff -, instaurando-se de vez, ali, o inferno, a danação.

Ainda não li essa nova tradução; mas, é ela que pretendo ler em minha próxima releitura do livro. Tenho algumas traduções brasileiras e  essas duas edições da Penguin no idioma original. Quando o dinheiro der, compro outras.

Mas, nem falei do livro, como se todos o conhecessem. E de certo modo conhecem, pelo menos de terem ouvido falar. Por conta disso, há tanto preconceito em torno dele.

Há alguns anos, de tanto eu recomendá-lo, um tio meu e um amigo (ambos já cinquentões e leitores de longa data e exigentes leitores) finalmente cederam a meu pedido e leram o livro. Acharam-no muito forte, terrível – e lindo. Ficaram impressionados com a força que emana de suas páginas e assumiram que tinham preconceito, que achavam que iam ali encontrar uma historinha açucarada, puro glacê.

Mas, o livro é o oposto disso: ele é cheio de personagens violentas ou covardes. Se em algum momento uma personagem nos parece boa, logo após descobrimos que essa bondade era uma máscara para sua covardia ou mornidão.

E quanto à estrutura narrativa, ele é feito de histórias dentro de histórias, ao ponto de não conseguirmos ter certeza sobre os acontecimentos narrados. Há diversos narradores: o senhor Lockwood, primeiro narrador; Nelly, que conta as histórias a ele; cartas que são lidas; anotações… O senhor Lockwood, ao nos contar sua experiência ao visitar o Morro dos Ventos Uivantes, dá-nos quase a experiência de ler um palimpsesto, por ser a obra um contar sobre outro contar sobre outro contar, diversas camadas sendo reveladas aos poucos e todas contaminadas por aquele que tem a voz naquele instante.

Muito já se disse sobre esse livro, admirado por críticos e escritores diversos.

Para Manuel Bandeira, ele representa para a literatura inglesa o que Moby Dick, de Hermann Melville, representa para a literatura norte-americana.

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Para Georges Battaille, ele é “sem dúvida a mais bela e a mais profundamente violenta história de amor”.  E a ele é dedicado um dos capítulos de seu célebre livro A literatura e o mal.

Foi livro de cabeceira de Clarice Lispector. Hilda Hilst amava essa agoniante história. Virginia Woolf via na obra de Emily Brontë a única obra em literatura inglesa escrita por uma mulher com força capaz de “concorrer” com os livros de autoria masculina escritos na Inglaterra. Para Harold Bloom, “O morro dos ventos uivantes é uma grandiosidade solitária, surgida de uma exepriência de vida que […] deixa perplexo […]. O gênio, com frequência adaptável, raramente é tão intrasnigente como em Emily Brontë”. Dante Gabriel Rosetti disse que “as ações se passam no inferno, só que os lugares e as pessoas têm nomes ingleses”.

À época de seu lançamento, o livro suscitou todo tipo de reação – em sua maioria, reação de assombro e/ou repulsa. Trechos de algumas críticas da época eu coloco aqui, retiradas da edição da Editora Landy, que teve tradução de Renata Maria Parreira Cordeiro e Eliane Gurjão Silveira Alambert:

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Para os amantes dessa obra, recomendo então duas edições: a da L&Pm Pockets e da Landy. A primeira, pelos motivos já ditos – acrescento que a edição traz uma apresentação do tradutor a respeito do livro e suas carascterísticas, tratando ainda da recepção da crítica  e de notas biográficas acerca da família Branwell/Brontë; a segunda porque traz uma compilação de diversos elementos que podem agradar a curiosidade do leitor-amante, tais como: Wuthering Heights, a canção de Kate Bush inspirada no livro; resumo cronológico sobre a vida de Emily Brontë; falas de autores diversos sobre o livro; quadro genealógico das personagens; seleção de textos críticos sobre a obra – incluindo textos da época de seu lançamento; fragmentos de anotações feitas pela própria Emily, à semelhança de um diário; poemas de sua autoria, ilustrações sobre a família; um desenho que Emily fez de seu cão, Keeper; uma extensa bibliografia.

Eis um trecho da apresentação feita por Guilherme da Silva Braga: “Em 1847, quando O morro dos ventos uivantes foi publicado, ainda vigorava a convenção segundo a qual os romances deviam servir para a formação e a edificação moral dos leitores. Assim, a obra de Emily Brontë foi recebida com certa desconfiança, pois, ainda que muitos percebessem a força que emanava dessas páginas, a história parecia desenrolar-se em um incômodo universo desprovido de princípios morais, em que a linha entre o bem e o mal é difusa e as motivações dos personagens parecem, a um só tempo, compreensíveis e atrozes”.

Para mim, as edições da L&Pm e da Landy são complementares.

Retrato de Emily Brontë feito por seu irmão Patrick Branwell Brontë

Agora, coloco alguns trechos retirados da edição da Landy. Os trechos críticos.

“Vanity Fair e Jane Eyre”, Quartely Review, vol. 84, dezembro de 1848: […] De qualquer maneira, nenhuma atenção se teria de dedicar ao autor de O morro dos ventos uivantes – um romance subsequente a Jane Eyre [escrito por Charlotte Brontë, irmã de Emily, sob o pseudônimo masculino de Currer Bell] e pretensamente escrito por Ellis Bell [pseudônimo masculino utilizado por Emily ao publicar seu romance] – se não se tivesse em vista fazer-lhe uma reprovação bem particular. Porque ainda que ambos tenham, sem dúvida alguma, aparência familiar, o aspectos dos animais Jane e Rochester no seu estado natural, sob a forma de Catherine e Heathfield [sic], é, no entanto, muito abominavelmente pagão e odioso para convir até mesmo ao gosto da mais corrompida categoria dos leitores ingleses. Àquela completa ausência de escrúpulos da escola dos romances franceses, acrescenta essa repugnante vulgaridade na escolha da sua perversão, que suscita o seu próprio antídoto. […].

The Atlas, em 22 de janeiro de 1848: “[…] Enquanto Jane Eyre [de Charlote Brontë, irmã de Emily] toca o leitor até às lágrimas e lhe extrai a emoção das profundezas, O morro dos ventos uivantes mergulha o espírito numa terrível melancolia. Não se fica nada emocionado, mas totalmente submetido à tortura, esfolado vivo. […] é um romance informe, interminável, que, sem piedade do leitor, apresenta os tormentos que duas gerações de criaturas desafortunadas suportam. Um gênio mau preside ao desenrolar da história e a sua personalidade demoníaca, projetando uma sombra sinistra sobre o conjunto do livro, confere-lhe, assim, uma espécie de unidade. Não nos lembramos de haver lido um romance que seja ao mesmo tempo mais natural e mais oposto à natureza. Pode parecer incrível que a degradação humana se encontre sob formas tão variadas num raio geográfico de algumas milhas; não obstante, a verossimilhança é admiravelmente preservada.  Há tanto de verdade na ‘estrutura’ da obra, que podemos reconhecer facilmente os lugares e as personagens. Quando paramos a leitura, faz-se necessário algum tempo para nos conbencer de que lidamos com simples fantasias do espírito. A realidade do irreal nunca foi mais bem provada do que nas cenas de selvageria que Ellis Bell  nos apresenta de maneira tão chocante. O que faz terrível falta ao livro são os momentos de descanso. […]”

Brittania, 1848: “[…] É a humanidade no seu estado selvagem que o autor de O morro dos ventos uivantes se dispõe a retratar-nos.  […] Tais criações [as personagens], totalmente desprovidas de arte, têm tamanha novidade e extravagância que nos agridem como se tivessem saído de uma pessoa de limitada experiência de vida, mas de vigor bem pessoal, de forma rara e decididamente singular. Isso dizendo, desvelamos a um só tempo as qualidades e defeitos dessa obra. São numerosas as passagens nesse livro – algumas contruídas de maneira bastante inábil – que não manifestam nem a graça da arte nem a verdade da natureza, mas só a veemência de uma ideia fixa, claramente afirmada – a de uma ferocidade apaixonada. […] Em que que pese a sua força e originalidade, é tão rude, tão negligenciado, tão imperfeito que ficamos muito embaraçados para poder dar uma opinião ou para que nos arrisquemos a conjeturas sobre o futuro do autor. Só o tempo vai dizer se continuará sendo um grosseiro cortador de mármore  ou se se tornará um escultor de primeira linha.”

Douglas Jerrold’s Weekly Newspaper, em 15 de janeiro de 1848:  “[…] O morro dos ventos uivantes é um estranho livro – que desafia toda forma corriqueira de crítica, no entanto é impossível, tendo-o começado, não o acabar, e de todo impossível largá-lo sem nada a dizer.  […] Em O morro dos ventos uivantes, o leitor choca-se, desgosta-se, quase sufoca com a exposição minuciosa da crueldade, da desumanidade, do ódio e da vingança diabólica, e de repente aparecem páginas que testemunham com força o poder supremo do amor – mesmo em demônios de face humana. […] Recomendamos seriamente a todos os leitores amantes de novidades que adquiram essa obra, pois podemos asseguram-lhes que nunca leram coisa semelhante antes […].”

Para saber detalhes da vida de Emily e a possível inspiração para a criação da personagem Heathcliff e sua dor, uma boa dica é o texto de Enzo Potel publicado no site Culture-se.

Tratando do protagonista do romance, aproveito para uma lembrança: todos que se aproximam de Heathcliff são tragados pela sua dor/violência. E isso está representado em seu nome: heath, em inglês, quer dizer charneca, pântano; cliff quer dizer despenhadeiro. Assim, ele é o despenhadeiro do pântano; e quem dele se aproxima, de algum modo, resvala, afunda-se no lodoso sob o pântano, cai no precipício.

Sobre a carreira de Wuthering Heights por aqui, Denise Bottmann, em Não Gosto de Plágio (“um blog contra plágios de tradução, e variedades várias”), traz informações na postagem Emily Brontë no Brasil e em O morro do vento uivante (onde trata do título do livro).  E no mesmo blog, ela traz algumas postagens sobre traduções nada confiáveis da mesma obra:  aqui, aqui e aqui.

Atualização: a tradução de Solange Pinheiro, citada logo no começo desta postagem, foi finalmente lançada. E lançada pela Martin Claret, que parece estar buscando reescrever sua história, ao lançar traduções sobre as quais não mais pesam as desconfianças (ou certezas) quanto a serem plágios de outras traduções.  Boa notícia.
Um amigo leu essa nova tradução e gostou bastante.

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Espero que um dia uma editora contrate a Denise Bottmann para traduzir o livro. Eu ia adorar acompanhar um blog seu comentando o trabalho.

Comprei e comecei a ler (folhear) por estes dias a tradução de Paraíso Perdido, do John Milton, feita por Daniel Jonas – Editora 34.

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Eu já tinha lido a respeito de haver em Wuthering Heights referências a essa obra. Mas uma coisa é ler a respeito; outra coisa é folhear o livro e ver frases que bem poderiam ser ditas por alguma de suas personagens, como as dos versos a seguir:

Livro I / Versos 254-264

“A mente é em si mesma o seu lugar,
Faz do inferno Céu, faz do Céu inferno.
Que importa onde se eu o mesmo for,
Ou o que seja, logo que não seja
Inferior ao que deu fama ao trovão?
Aqui seremos livres; o magnânimo
Não alçou cá a inveja, nem daqui
Nos levará. A salvo reinaremos,
Que é digna ambição mesmo se no inferno:
Melhor reinar no inferno que no Céu
Servir. […].”

Livro IV /  Versos 38-39

“[…] Chamo-te,
Mas não com voz de amigo, e uso o nome,
Ó sol, pra te dizer como te odeio
Os raios que me lembram de que alturas
Caí […].”

Livro IV / Versos 69-78

“[…] Pois seja amor maldito, que ódio
Ou amor iguais são, e igual dor dão.
Melhor maldito sejas, já que contra
O querer dele o teu quis livre o que agora
Bem chora. Mísero eu! P’ra onde erguer
Tamanha raiva, tanto desespero?
Aonde vá o inferno vai. Eu sou
O inferno. E no fundo mais fundo
De espera que corrói sempre mais se abre,
Que faz do meu inferno quase um Céu.”

Os trechos acima muito se assemelham a algumas falas de Heathcliff ou de Catherine em seus acessos de fúria ou de auto-revelação. Assim como poderiam ter sido ditos por eles os versos abaixo:

Livro IX / Versos 87-

“[…] Fi-lo
Por ti, o que por ti desprezaria.
Que o gozo só o gozo se o gozares,
Tedioso sem ti é, e logo odioso.
Prova pois tu também, que igual fortuna
Nos uma, gozo igual, amor igual.
Não se dê que não proves e diferente
Grau nos desuna, e eu já deusa abdique
De mim quando o destino o não permita.”

Da tradução de Solange Pinheiro, o início do romance:

“1801
Acabo de chegar de uma visita a meu senhorio – o solitário vizinho com quem eu talvez tenha de me preocupar. Esta é certamente uma bela região! Em toda a Inglaterra, não acredito que eu pudesse ter me instalado em um local tão completamente afastado do burburinho social. O Paraíso perfeito para um misantropo – e o Sr. Heathcliff e eu formamos um par adequado para dividir a desolação entre nós. Que criatura admirável! Ele mal poderia imaginar o impulso de simpatia que senti por ele ao perceber, enquanto eu me aproximava a cavalo, seus olhos negros desviando cheios de suspeita sob suas sobrancelhas, e seus dedos, com uma reserva obstinada, afundando-se ainda mais sob seu colete, quando anunciei meu nome.”

No Homo Literatus, há uma postagem arretada sobre o romance. Clique aqui para lê-la.  Há uma postagem massa também aqui, no site português Virtualia.

 

 

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  1. 20/05/2012 às 14:01

    Nilton! Muito legal seu blog, limpo e bem escrito. E que maravilha chegar aqui pra ler sobre Wuthering Heigths, essa coisa rara e maravilhosa. Esses dias achei uma frase ótima do ótimo E. M. Forster, falando de Wuthering Heights: “Grande romance que é, não se pode recordar nada dele após a leitura, a não ser Heathcliff e a irmã mais velha, Catherine.” A geração posterior na obra não nos toca tanto, não é verdade?
    Eu detestei “O Som e a Fúria”. Ce ja leu?
    inté!

    • niltonresende
      20/05/2012 às 22:29

      oh, enzo,
      que bom que você gostou.

      acabei de visitar seu blog. gostei muito e já o incluí aqui na lista de links.
      vou visitá-lo com atenção, depois.

      wuthering heights é mesmo uma “coisa rara e maravilhosa”. e a segunda geração, no romance, não nos pega tanto quanto a primeira, mesmo. mas, mesmo assim, ainda é grande a segunda parte. nela, há os resquícios da primeira nos pegando sempre; o que heathcliff traz consigo e contamina os outros – até essa contaminação ir desaparecendo. estranho, né. um final tão solar para algo antes tão trevoso.

      cara, eu amei o som e a fúria. mas, a parte de que mais gostei não foi a primeira, tão elogiada. gostei mais da terceira e da última. na terceira, eu me deparei com uma das personagens literárias que mais me agoniaram. eu fiquei agoniado como quando li dom casmurro e o morro dos ventos uivantes. para mim, aquela personagem (não lembro agora o nome) era como bentinho ao desejar a morte do filho e como heathcliff ao destruir isabella.
      e a quarta parte, narrada em terceira pessoa… caramba, ali, para mim, faulkner disse: “vocês, que se impressionaram com meu virtuosismo, vejam como sei conduzir uma narrativa em terceira pessoa. vejam”.
      aquilo é lindo demais.
      o início é belíssimo.
      a descrição dos sinos, eles marcando um grande trecho da narrativa.
      o trecho das pessoas no culto evangélico, os “sim, jesus” gritados por todos.
      e há este trecho: “os sinos estavam tocando de novo, bem no alto do céu, ao sol desabalado, em farrapos coloridos e desordenados de som”. eu amo isso rsrs.
      e há o final. o final que foi um dos mais incríveis que já li. a certeza do irremediável.

      ei, você leu adrienne mesurat, do julien green?

      você cita a flannery o’connor. quero lê-la. preciso lê-la. vou comprar os contos dela. é meta.

      falemo-nos.

      =] . inté .

  2. 21/05/2012 às 11:00

    Sim, o último capítulo do Som é maravilhoso mesmo. Eu é que não gosto de primeira pessoa… mas já tentei ler Palmeiras Selvagens, acho que é coisa de âmago… eu e Faulkner não nascemos um pro outro.
    Eu já li TUDO de Flannery O´Connor, sou completamente apaixonado por cada linha dela. O blog nasceu mais por ela, quando eu estava lendo “The Habit of Being”, livro de cartas. Você tem que ler “A Boa Gente da Roça”, o melhor conto da Flan. Está no primeiro livro, “É dificil encontrar um homem bom”. Esse, sem sombra de dúvidas, é o melhor livro de contos que já li, e a tradução do O´Shea para a Arx (ou Siciliano) é uma delícia, tenta ser mais oral. O “Contos Completos” da Flannery foi traduzido pelo Leonardo Fróes pra Cosac, e peca pelo excesso de eloquência e algumas intervenções. Ele funciona mais com os contos da Woolf, que pedem um tradutor excessivamente eloquente.
    Não li “Adrienne Mesurat”, vou me informar!
    até!

    • niltonresende
      22/05/2012 às 10:11

      rapaz, que bom você ter me falado das traduções da flannery.
      eu estava em dúvida sobre que livro comprar.
      o alfredo monte, do monte de leituras, me disse para lê-la. minha amiga brisa paim leu e amou. sinto que devo mesmo fazer isso. na verdade, paquero-a há anos.
      que bom sua dica da tradução.
      vou comprar a tradução do o’shea. obrigadíssimo, pô.

      não sei se adrienne mesurat vai lhe “pegar”. depois você me diz.

      =]. abraçón.

  3. 21/05/2012 às 17:15

    e olha, eu morro de vergonha hoje em dia das minhas resenhas e artigos, mas escrevi umas linhas há um tempo atrás depois de ler a biografia da Emily:

    http://www.culture-se.com/noticias/214/o-irmao-bronte

    • niltonresende
      22/05/2012 às 10:11

      vou ler

      =P .

    • niltonresende
      22/05/2012 às 10:18

      poxa, li e amei.
      e vou incorporar à minha postagem, como mais uma sugestão de link.

      =]]].

  4. 22/05/2012 às 11:35

    Nilton, por coincidência Adrienne Mesurat veio parar nas minhas mãos, aqui no sebo em que trabalho. E por R$2 — comprei né!
    No mais, vou frequentar seu blog.
    até!

    • niltonresende
      22/05/2012 às 11:51

      oxe, arretado hahahaha.
      deve ser a edição que saiu nas bancas, da riográfica. azulzinha. se for, foi nessa edição que li.

      me diz depois o que achou.
      e em que sebo você trabalha.

      =]. abraço.

  5. 22/05/2012 às 15:09

    essa mesma!
    e eu trabalho aqui, ó: http://www.casaberta.com.br/
    Itajaí, SC.

    até mais!

  6. Camila Fernandes
    30/10/2013 às 16:50

    Nilton, não te conheço e cheguei aqui via Google, enquanto pesquisava as traduções de “O Morro…” para tentar escolher quais eu devo ler, além da de Oscar Mendes, que foi a primeira. Seu texto e suas recomendações são imensamente valiosas. Obrigada por ter dedicado tanto afinco à propagação dessas informações.

    • niltonresende
      31/10/2013 às 00:36

      oh, camila,
      que bom que gostou =] .

      obrigado por suas palavras.

      não destaquei as traduções da Landy e da L&PM por conta da tradução, que não tenho gabarito para julgar traduções, mas gosto dos dois livros, dos projetos editoriais.
      e a tradução do guilherme braga tem a particularidade de manter o livro em duas partes e de considerar as peculiaridades da fala de joseph.
      eu acho mesmo que bom é comprar os dois =] .

      abraço.

  7. Christian
    02/11/2016 às 17:04

    Olá, Nilton! Ouvi dizer que a tradução de Guilherme da Silva Braga para “O Morro dos Ventos Uivantes” (L&PM) possui passagens confusas ou certas perdas de sentido em algumas frases. Você já leu e comparou esta edição com outras? Ela parece ser interessante devido o fato de ter valorizado as variações linguísticas de alguns personagens, mas tenho receio de adquiri-la e me arrepender depois.

    • niltonresende
      02/11/2016 às 23:45

      oi, christian, obrigado pela visita ao blog.
      olha, não sei lhe dizer quanto à qualidade da tradução. eu não teria cacife pra falar disso. coleciono traduções e fico relendo trechos do livro, mas opto por uma ou outra mais por causa da empatia para com as traduções e/ou os trechos do que mesmo por serem melhores ou piores.
      quanto a uma tradução que observe as variações linguísticas, a martin claret lançou a tradução da solange pinheiro.
      sugiro a você comprar ambas e comparar – ou compará-las na livraria.

      eu ia lhe indicar a postagem da denise bottmann em que ela trata das traduções do livro, mas vi que você já apareceu por lá =] .

      a dissertação da solange pinheiro, em que ela trata da variações, está disponível na internet. dê uma olhada no trabalho dela e veja se gosta.
      na dissertação, ela não trata de toda a tradução, mas do aspecto das variações.

      abração.
      depois me diga qual foi sua decisão ;=] .

      e apareça mais vezes por aqui.

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