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It’s a Wonderful Life : A Felicidade Não se Compra

Gosto de filmes de redenção – e de filmes de danação. Se eu fizesse uma lista dos preferidos, em sua maioria eles estariam incluídos em um desses dois tipos.
Eu gosto quando o filme me faz chorar – pelo aspecto estético, pelo conteúdo humano, pela conjunção de ambos. Emocionei-me demais, às lagrimas, quando, em um cinema paulistano (estávamos lá eu e uma prima), vi Miss Daisy sendo conduzida por seu motorista. O filme era Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy). Dirigido por Bruce Beresford, foi uma adaptação da peça teatral de Alfred Uhry, também o autor do roteiro. Era o ano de 1989.

Morgan Freeman e Jessica Tandy em Conduzindo Miss Daisy

E o instante das lágrimas nem se deveu a algum fato extraordinário do roteiro. Não. A coisa se deu quando, em algum momento, Jessica Tandy, que interpretava Miss Daisy, fez uma expressão facial, uns gestos pequenos que me disseram estar ali uma atriz de uma envergadura terrível. Aí, chorei um bocado – e minha prima, ao lado, ficou sem entender coisa alguma.

Em outra vez, num cinema aqui em Maceió, eu nem estava assistindo a um filme grandioso, mas uma cena dele me deixou embasbacado. Uma cena de dança – eu amo dançar – com música de Tchaikovski, tudo maravilhosamente sincronizado, a música dialogando perfeitamente com as relações entre as personagens. O filme era Anna Karenina (1997), roteirizado e dirigido por Bernard Rose, com a bela Sophie Marceau no papel-título.

Fiz tanta propaganda do filme, que consegui levar diversos amigos para assistir a uma sessão no extinto cinema do Quartel da Polícia, na Pça. Floriano Peixoto. Ironia das ironias: no exato  momento dessa cena, o som falhou, voltando apenas quando acabou a dança. Ao fim, do filme, os amigos ficaram me olhando com cara de “por que mesmo você se emocionou”?

Mas, eu dizia que gostava de filmes de redenção e de danação. Gosto dos de danação porque o sofrimento é tanto que pode me acordar, pode me dar um tranco. E dos de redenção, porque me dão esperança. Ambos os tipos me lembram que sou humano e sedento.
Dentre os de redenção, um deles ocupa um lugar especialíssimo: A Felicidade Não se Compra (It’s a Wonderful Life), do Frank Capra, produzido em 1946.
É incrível sua crença no ser humano, sua quase ingenuidade. E sempre que o vejo eu acho que ele não é ingênuo, mas que nós estamos endurecidos.

A Felicidade Não se Compra

Não tendo feito muito sucesso à epoca de seu lançamento (e não tenho ganho nenhum dos três prêmios Oscar a que foi indicado), o filme de Capra, no entanto, tornou-se um clássico, ao ponto de ter-se tornado filme obrigatório na programação natalina em redes de televisão.  No Brasil, pelo menos, na época em que havia os clássicos de Natal, como, por exemplo, uma adaptação do Conto de Natal de Charles Dickens, que fazia todo o mundo dormir prometendo a si mesmo tornar-se uma pessoa menos avara, prometendo aproveitar a vida, seus pequenos grandiosos momentos, para não se tornar no futuro alguém saudoso de um passado que nem chegou a ter.

A Christmas Carol

O filme de Frank Capra, que depois foi cansativamente imitado, pode ser assim resumido: um homem deseja morrer, mas tem a oportunidade de ver como seria o mundo caso ele não tivesse nascido. Esse homem é George Bailey, interpretado por James Stewart.

George Bailey (James Stewart)

Planejando escrever sobre o filme, agora deu-me um branco imenso. Talvez porque goste demais dele e não saiba o que dizer, ou porque tenho medo de tudo soar muito piegas.

O garoto George (Bobbie Anderson)

O jovem George, ainda sonhando com o futuro

O homem George, desesperado por causa de problemas financeiros (ao seu lado, seu algoz Mr. Potter, interpretado por Lionel Barrymore)

Porque outros já falaram do filme, e falaram muito bem, deixo aqui os links para seus textos. Mas antes, mostro umas personagens,   como Mary Hatch, esposa de Bailey, que, quando criança, prometeu a si mesma que se casaria com o garoto que ela conheceu na doceria em que ele trabalhava.

Donna Reed, como Mary Hatch

O anjo Clarence, que precisava de um grande feito para poder conseguir suas asas:

O ator Henry Travers

Graciosa é a cena do baile em que George e Mary começam realmente a aproximar-se (aqui, captada por um fã):

Mas, eu disse que ia colocar os links de quem já escreveu sobre o filme (e escreveu muito bem):

Eis aqui a família Bailey:

Sofrida, quase incrédula

Provando que a felicidade não se compra e que, por mais difícil que seja admitir, “esta vida é maravilhosa”

Como não posso presentear a todos, dou como presente a sugestão de assistirem ao filme. Bom Natal.

Quer fazer o download? Aqui, no PirateBay, há o filme em diversos formatos e tamanhos – inclusive na versão colorizada. Aproveite.

Novidades: uma lista feita em 2012 elegeu-o o melhor filme de Natal de todos os tempos: aqui e aqui. E a Versátil já lançou a versão Blu-ray do filme, com making of.

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  1. azevedoregina
    22/12/2010 às 11:12

    Oi Nilson!

    Capra é tudo de bom, ainda mais nesse filme.
    grande abraço e virei sempre

    Regina

    • niltonresende
      22/12/2010 às 11:34

      venha mesmo. abração.

  2. Lis
    22/12/2010 às 11:21

    Nil, esse filme foi um dos maiores presentes que você poderia me dar. Lembro que você falava tanto dele, descrevia suas cenas, e como todos os filmes que vejo você falar com emoção e olhos molhados, tenho vontade imensa de ver. Eis que um dia, sem muita preparação, fiquei sozinha em meu quarto com A felicidade não se compra. Algumas de suas cenas são pérolas (como a da piscina), o maniqueísmo é contraditoriamente tão delicioso. É daqueles filmes em que se mergulha emocionalmente do começo ao fim, sem parar para olhar o relógio ou pensar no que se tem pra fazer depois. E sozinha chorei muito. De uma forma pura, como merece esse filme. Como merecemos.
    beijo,
    Lisavieta

    • niltonresende
      22/12/2010 às 11:40

      lisavieta, eu me lembro de receber sua mensagem no celular, dizendo de como tinha gostado do filme (fiquei contentão quando você me mandou). e quantas conversas sobre cinema, sobre interpretação aquilo não nos rendeu.
      ai, lisavieta, saudades de nos vermos em algum set (trabalhando, e não a passeio).
      beijo.

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